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segunda-feira, 11 de junho de 2012

UMA REFLEXÃO SOBRE A COESÃO SOCIAL


É adequado percebermos o quanto a etimologia da palavra Sociologia nos revela o seu real conceito, e por meio disso, alcança uma exposição de fragmentos conceituais expressos em obras de sociólogos como, do pensador Émile Durkheim[1]. A palavra Sociologia surgiu através da língua francesa (sociologie[2]), palavra criada por Augusto Comte em 1830 a partir do Latim Socius, (que significa “companheiro”), unida com a palavra Logia, (da raiz legein, “falar” que assumiu o sentido de “estudo de”), em suma, o pensador positivista, que já estava inserido em uma intensa observação sobre as relações humanas sociais, criou um tempo que manifesta de maneira exata a essência de seu conceito, conclusão, o consideração da palavra Sociologia se resume ao estudo dos “companheiros”, isto é, uma análise que pertence às ciências humanas que se preocupa em observar o comportamento humano, as relações sociais, quando inserido em uma cultura coletividade.
É muito conveniente analisar o conceito de sociologia no cotidiano contemporâneo, atualmente as grandes sociedades globalizadas vivem em um ritmo coletivo individualista, ou seja, a consciência de estar imerso em uma coletividade é ausente, os sujeitos estão cada vez mais distantes do outro, distanciando as possibilidades de trocas, de relações que são necessárias para uma cultura coletiva. Existe uma música que fez muito sucesso recentemente, essa composição foi não só exaltada pela mídia, mas também por muitas pessoas como se fosse um tóten, a música ecoava intensamente o individualismo presente no cotidiano do século XXI através da seguinte frase, ado-a-ado, cada um no seu quadrado![3], é interessante percebermos que o enunciado individualista ganha força por meio do desmembramento do prefixo da palavra quadrado (ado-a-ado). A afirmação “cada um no seu quadrado” remete ao conceito de que, cada indivíduo deve se limitar em seu espaço, sem a chance de trocas, de relações; lançando o que Durkheim titularia de solidariedade orgânica. Hoje a música caiu das paradas de sucesso, mas ainda é possível escutar o seu refrão através da fala de muitas pessoas que usam as expressões populares para diversificar a fala do cotidiano, em suma, o refrão da musica se transformou em um bordão popular.
Resgatando o significado etimológico da palavra sociologia, é transparente perceber o quanto a sociedade atual demonstra manifestações curiosas, possíveis de, serem analisadas por meio de conceitos, colocados pelo sociólogo Émile Durkheim, por expor de modo preciso os fatores que explicam a organização social. A organização social é explicada por Durkheim por meio do conceito Coesão (do Latim Cohesio, “adesão”, de adharere, de ad-, “a”, ligar, grudar, colar) Social, isto é, existe algo que mantém as pessoas unidas socialmente, essa união social é explanada pelo sociólogo através da uma solidariedade social. A solidariedade social é responsável por mediar à consciência individual isto é, a realidade subjetiva do sujeito (que determina as vontades, a personalidade do sujeito, é através dessa consciência individual que o sujeito vai fazer as escolhas do dia a dia) com a consciência coletiva, (que passa a existir por meio das relações de consciência individuais, pois concretamente esse sujeito não está sozinho) que é a responsável pela criação de valores éticos, morais, regras sociais gerando um código unificador através de elos que conciliam os pensamentos individuais, como a educação que acaba sendo tombada na cultura coletiva, por exemplo, entre outros fatores essenciais que seriam reverberados de geração a geração, então para Durkheim, a solidariedade social é a própria coesão, e uma alteridade que mantém a unidade social, em suma, é a solidariedade que liga socialmente os homens em um terreiro sociocultural.
O pensador e poeta Fernando Pessoa[4] também refletiu sobre a organização social de Portugal, Pessoa era um grande patriota português, produziu muitas obras literárias com o objetivo de apresentar para aqueles que não conheciam o seu berço geográfico, o que de fato era Portugal, e por meio de obras literárias, algumas assinadas por ele mesmo, outras por seus heterônimos, Fernando Pessoa assentava a Língua como fenômeno importante para uma organização social, pois existe uma linguagem interna do indivíduo, que só ele tem acesso (o pensamento), mas que se torna um canal coesivo quando essa linguagem é exteriorizada, criando relações, trocas e coordenações sociais, em suma “a nação baseia-se na comunidade do idioma, que é a base da vida social”[5]

A base da sociabilidade, e portanto da relação permanente entre os indivíduos, é a língua, e é a língua com tudo quanto traz em si e consigo que define e forma a Nação. Estamos, neste mundo, divididos por natureza em sociedades secretas diferentes, em que somos iniciados à nascença; e cada uma tem, no idioma que é seu, a sua própria palavra de passe. (ROCHETA e MORÃO, 1979, http://multipessoa.net/labirinto/portugal/12).

Em suma, Émilie Durkheim expõem a solidariedade social, como foi apresentado aqui, como elo que manter as consciências coletivamente unidas, mas existe outro passo que apresenta como esse conceito se desdobra, na realidade teórica do sociólogo existem duas vertentes de solidariedade social, uma é a Solidariedade mecânica ou similitude e a outra é a solidariedade orgânica, brotando dentro do processo da divisão do trabalho criado pelo sistema capitalista. A Solidariedade mecânica está traduzida em atos que o sujeito se identifica por meio da consciência coletiva por meio de comportamentos expressos por comunidades políticas, religiosas, proporcionando um sentimento de bem estar social, o indivíduo não está preocupado com a sua singularidade, ele está focado na sua existência coletiva, nutrindo fortemente a coesão social da cultura a qual está imerso.
Agora a solidariedade orgânica elucida os motivos que produz manifestações, como exemplo o conteúdo da música apresentada no inicio desta reflexão, a solidariedade orgânica expressa o enfraquecimento das relações coletivas, isso ocorre por causa da grande escala de trabalho exigida pelo sistema capitalista, cada homem é escalado para uma função, e o interessante é perceber que um grupo estruturado em uma empresa, por exemplo, não estão juntos porque escolheram por se sentirem iguais, mas porque fazem parte do mesmo domínio social.

Vê-se em que consiste esta solidariedade real: liga diretamente as coisas às pessoas, mas não as pessoas entre si. A rigor, pode-se exercer um direito real acreditando-se sozinho no mundo, fazendo abstração dos outros homens. Por conseguinte, como é somente por intermédio de pessoas que as coisas são integradas na sociedade, a solidariedade que resulta desta integração é completamente negativa. Ela não faz com que as vontades se movam para fins comuns, mas apenas com que as coisas gravitem em ordem ao redor das vontades. Porque os direitos reais são assim delimitados, não entram em conflito; tenta-se evitar as hostilidades, mas não há concurso ativo, não há “consensus”. Suponha-se um tal acordo tão perfeito quanto possível; a sociedade em que ele reina – se reina sozinho – parecerá uma intensa constelação onde cada astro se move em sua órbita sem perturbar os movimentos dos astros vizinhos. Uma tal solidariedade não faz assim dos elementos que ela aproxima um todo capaz de agir como um conjunto; não contribui em nada para a unidade do corpo social. (DURKHEIM, 1978. p. 62).

Em suma, os dois tipos de solidariedade, tanto a mecânica, quanto a orgânica possuem a função de ligar, de unir os homens, criando uma coesão social, elas estão visivelmente presentes em sociedades hoje, é atraente refletirmos como essa coesão se manifesta em culturas diferentes das quais estamos habituados a nos relacionar, como por exemplo, as culturas ameríndias; é certeza de que a solidariedade mecânica seja mais presente do que a orgânica, pelo fato da situação geográfica a qual estão inseridos, as tradições permeiam o conhecimento oral, as relações são trocadas de geração a geração, hoje as grandes culturas civis possuem documentos que lançam regras de condutas, com direitos a sanções caso seja desobedecida, um desses documentos é a Declaração Universal dos Direitos Humanos[6], que está presente legalmente para manter a coesão harmoniosamente através de um sistema que objetiva a permanência da harmonia e bem-estar social necessário para uma organização sociocultural.


Tarsila do Amaral. Operários 1953.




[1] Um dos fundadores da Sociologia, nascido em Épinal na França em 1858 e falecido em 1917 em Paris.
[2] Termo criado pelo fundador do positivismo, o Frances Augusto Comte (1798-1857).
[3] Frase presente na letra da música “Dança do Quadrado” da compositora brasileira Sharon Acioly.
[4] Poeta modernista Português criador do neologismo “Heterônimo”, termo que se atribui a personagens fictícios, também criados pelo Pessoa, onde cada personagem era possuidor de uma biografia e produções filosóficas literárias, entre outros conhecidos, Bernardo Soares e Alberto Caeiro.
[5] Site MultiPessoa, consultado em 15 de Maio de 2012.
[6] Criada logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1948 pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de instaurar a Liberdade e a Igualdade sociocultural.

Sugestão de Filme: "O Curioso Caso de Benjamin Button"

Realmente é curiosa a maneira que o filme "O Curioso Caso de Benjamin Button" gentilmente dirigido por David Fincher expõe não só o conceito de Tempo expresso por meio da realidade humana, mas também o conceito de Identidade que se revela no homem não só fisicamente, mas igualmente subjetivamente, os dois conceitos, Tempo e Identidade se relacionam, trocam carícias, amadurecem e um dia, bom, um dia atinge o inexplicável. 
Um dos temas reflexivos que o longa-metragem exaltou foi à falta de consciência existente nos dias atuais sobre a passagem do tempo e principalmente sobre o reconhecimento de que cada ser é temporal, essa carência de consciência se revela através do personagem Benjamin Button (Brad Pitt), que ao nascer com uma doença curiosa e inusitada, cujo sintoma é o rejuvenescimento, possuindo a oportunidade de se relacionar intensamente com os fenômenos de morte, tempo, identidade de maneira diferenciada, isto é, Benjamin nasce feio e velho, horrivelmente enrugado e abatido; e de acordo com a passagem dos anos, ele vai rejuvenescendo, sofrendo uma forte e incrível metamorfose, passando a se relacionar com o conceito de Beleza, juventude e principalmente virilidade. Imerso nessa inversão o protagonista do filme possui a chance inusitada de assistir o tempo passar por meio da morte daqueles que acompanharam a sua chegada, sendo que todos os personagens estavam variavelmente imersos no mesmo tempo, na mesma época (século XIX) iam envelhecendo e cumprindo com a finalidade natural da existência, a morte; com exceção de Benjamim, que ficava mais jovem cada vez mais belo, sempre que os ponteiros avançavam direção ao futuro Benjamim perdia alguém e ganhava virilidade, agilidade e mais vida, em sua vida tão estranha e temporal.
Para quem ainda não assistiu essa incrível história apresentada pela sétima arte, por favor, assista, eu imploro, assista, porque eu tenho certeza de que você vai pensar profundamente, vai refletir com mais intensidade sobre a sua identidade visual e principalmente sobre o tempo, que te consome a cada instante, eu tenho certeza de que você não será mais a mesma pessoa, a princípio você já não é mais o mesmo sujeito depois que iniciou essa pequena e sucinta reflexão, porque neste momento, você possui em sua mente a sugestão de mergulhar as suas mãos em uma tigela de pipoca assistindo a esse glorioso filme, e outra, você também não é mais o mesmo (a) porque em sua subjetividade habita desde já o meu Ponto de Vista, que agora será seu, é seu.
André Bispo

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Intervenção Urbana

A intervenção urbana é uma manifestação artística que usa o espaço cotidiano social como alvo de reivindicações a partir de singelas e importantes perceptivas sobre a realidade. Esse tipo de ato artístico não possui um objetivo finalista, ou seja, um retorno que apresente se atividade foi positivo ou não, pois o estilo (se é que podemos considerar um estilo) desta intervenção urbana é semelhante ao dadaísmo, por não haver um resultado e sim, um lançar para a massa um olhar reflexivo e crítico sobre a realidade no qual estão os sujeitos alvos estão inseridos. É um ato que pede um momento para uma reflexão necessária sobre o mundo em que vivemos hoje.
Aqui no Brasil existem alguns grupos que já fazem esse tipo de intervenção, podemos encontrar uma dessas intervenções nas estações do metrô de São Paulo, são poemas que convidam os passageiros a saírem da correria angustiante à viajarem sobre as palavras que arquitetam uma poética subjetiva que, sempre está relacionada ao próprio sujeito que lê atenciosamente, produzindo nesse indivíduo uma breve e passageira reflexão criando um novo olhar (mesmo que momentâneo). É através dessa intervenção apresentada que foi pensando em uma ação urbana dentro da estação Sé do metrô paulista, como em algumas estações existem um convite a um olhar para dentro, ou seja, um navegar poético sobre as mais variadas sensações oferecidas pelos poemas expostos nas paredes escuras, frias e úmidas, o objetivo desta intervenção urbana será em lançar para a massa de passageiros das 18h da estação de metrô Sé o acesso ao olhar externo e interno, ao movimento do rosto, do pescoço causado pela chuva de Bolhas de sabão constituída por matizes de cores de infância, adolescência, maturidade, velhice, de vida.
A Bolha de São, que fez e faz parte de tanta infância singela, este elemento será lançado sobre a multidão de trabalhadores, estudantes, passageiros que voltam para casa ou que estão à caminho da faculdade para construir as suas vidas, mas que estão totalmente estressados e cansados inconscientemente (ou não) do sistema que fazem parte, por este motivo será proposto esta intervenção, pelo fato de que as Bolhas de sabão possuem o poder de oferecer um sentimento singelo e nostálgico e a escolha da Estação da Sé como ponto de reflexão é totalmente importante por capacitar em horário de pico 100 mil passageiros, passageiros que pensam, choram, gritam e sofrem por estarem envoltos de muitas pessoas, mas ao mesmo tempo sozinhos subjetivamente, por este motivo se faz necessária a prática ativa desta intervenção urbana tão linda e cheia de graça nostálgica. O acesso ao resultado da intervenção como foi dito não será possível justamente por não existir um resultado coletivo e sim pessoal, a finalidade da atividade é um parar para a troca de boas lembranças e através disso perceber que podemos sim compartilhar através do diálogo, da troca de olhares, sorrisos, gracejos tudo aquilo que temos guardado dentro da nossa memória, utilizar o espaço social não só como uma ponte de passagem, mas um local onde seja possível a compartilha de trocas e principalmente de amizades, contato com o outro, mesmo que passageiras.
Justificativa Reforçada 
A justificativa foi muito bem lançada poeticamente pela Educadora Annelise Faria, e será através dessa justificativa que atingiremos o objetivo desta admirável e necessária intervenção urbana.
Triste não é trabalhar todos os dias.
Triste não é pegar o metrô lotado e ainda chegar tarde ao trabalho.
Triste não é esbarrar em mendigos no centro da cidade de São Paulo.
Triste não é se sentir sozinho, mesmo com tanta gente a nossa volta.
Triste não é a ausência do trabalho.
Triste é ser bolha de sabão.
Tão linda...
Enche os olhos da gente de alegria.
Mas quanto tempo dura uma bolha de sabão?
Somente o feliz tempo de uma curta existência!
Annelise Faria
As relações que temos na cidade nos constrói e devemos dar um retorno à ela. Alegrar qualquer triste... Imagina uma mulher triste, que acaba de ser deixada pelo marido, tomou uma bronca do chefe porque chegou atrasada no trabalho. Mesmo ela querendo que a vida desse uma simples pausa, a vida não lhe deu... Triste esperando o ônibus passar, ela olha para frente e vê lindas bolhas de sabão... Coloridas. Se lembrar da sua infância, lembrar da infância pode ser uma doçura... Ver bolhas de sabão pode ser uma doçura.

Material
·         Brinquedo que produz Bolhas de Sabão.
·          Sopro.
·          Câmera Fotográfica, Filmadora para o registro e documentação da Intervenção.
      ·          Sensíveis Seres Racionais.

Texto: André Bispo e Annelise Faria.
Ideia Original: Annelise Faria.